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24.10.16
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Uso racional de energia ajuda a diminuir criminalidade
Fonte: Agência Unesp - 22.10.2016

São Paulo - Thiago Matheus Martins de Moraes, aluno do curso de Engenharia Elétrica da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG) da Unesp, liderou um grupo de estudantes que, sob orientação do professor Rubens Alves Dias, desenvolveu e colocou em prática o Projeto Ponto Iluminado, que desenvolve um novo conceito de iluminação, utilizando energia solar e um sistema inteligente de regulação da intensidade do brilho em um ponto de ônibus em frente à Unidade. O Projeto foi ainda aceito para ser apresentado no IEEE Global Humanitarian Technology Conference (GHTC), que ocorreu em Seattle, EUA, de 13 e 16 de outubro. Informações detalhadas em ponto-iluminado.webnode.com.

Assim foi possível gerar luz, a custo reduzido e de maneira sustentável, e teve ainda o benefício de auxiliar na redução da violência no local. Como a maior incidência de assaltos ocorre justamente no período noturno, principalmente em locais de iluminação precária, o Projeto tem potencial para ser utilizado, por exemplo, em pontos de ônibus com baixa iluminação, tendo um custo aproximado de apenas R$ 5 mil e duração prevista de 25 anos, já que, para alimentar o sistema de iluminação, foi elaborado um sistema completamente autossustentável, que independe de qualquer fonte de energia ligada à rede elétrica.

O projetista explica ainda que os sensores de presença utilizados, para que o sistema funcione apenas com a presença de pessoas, aumentam a vida útil do equipamento utilizado, reduzem custos e aumentam o tempo de uso da bateria. "A captação de energia solar foi colocada a cinco metros de altura, não só por motivos técnicos, mas também para reduzir a possibilidade de vandalismo. O sistema, em síntese, não tem dependência de energia elétrica, melhora a segurança e incentiva o uso de energia limpa", comentou.

Apresentação

Dia 22 de outubro, no Centro de Inovação e Eficiência Energética da FEG, foi realizada uma cerimônia de apresentação, de inauguração oficial e de agradecimento do projeto aos parceiros internos e externos. Mauro Hugo Mathias, diretor da FEG, destacou a importância da iniciativa para a comunidade de Guaratinguetá como um todo. "Trata-se de uma iniciativa importante que nos deixa orgulhosos", comentou.

Edson Cocchieri Botelho, vice-diretor, destacou que o Projeto é um presente para a Unidade, que completa 50 anos, e para a Unesp, que celebra 40 anos, em 2016. É bom saber que o material utilizado durará 25 anos, ou seja, estará aqui quando a FEG fizer 75 anos", disse. "O Ponto Iluminado é uma ação de extensão universitária que leva diretamente para a comunidade conhecimento gerado na Universidade."

Rubens Alves Dias, professor responsável, também ressaltou a característica extensionista da ação. "O projeto junta sistema fotovoltaico, iluminação LED e o anseio da sociedade por segurança. Consegue, portanto, que o saber da universidade chegue à sociedade brasileira e ao exterior", lembrou. O docente José Feliani Adami completou: "Este projeto é uma demonstração de como não é o ensino em si mesmo que muda o mundo, mas sim que o poder de ele transformar as pessoas, como ocorre com este grupo e, em consequência, com a sociedade."

Repercussão nos EUA

O Projeto Ponto Iluminado foi apresentado no IEEE Global Humanitarian Technology Conference (GHTC), evento com enfoque no avanço da tecnologia para o benefício da humanidade que atrai um público global de educadores, engenheiros, cientistas, médicos, filantropos, empresas, fundações, ONGs e outros interessados na aplicação de tecnologia para desenvolver soluções eficazes para os desafios que enfrentam as populações carentes do mundo. O texto será também publicado no IEEExplore, a maior biblioteca virtual de artigos científicos do mundo.

Foram enviados para Congresso artigos dos 160 países onde o IEEE possui seus 400 mil membros, e o paper sobre o Projeto Ponto Iluminado, intitulado Reducing criminality and saving energy, foi selecionado entre os 28 melhores do mundo na categoria Energy, ao lado de participantes de instituições como o MIT, dos EUA, entre outras de renome internacional. "Obtivemos destaque na apresentação porque tínhamos um diferencial: nosso projeto já estava implementado. Mostramos assim na prática que ações simples podem mudar a realidade das pessoas", comentou Lucas de Paulo Santos Petri, que assina com Thiafo artigo sobre o Projeto, do qual também participam os estudantes Júlio Hiroshi Galvão Fukui (responsável pelo Marketing) e Fernando Tondin Borges (Logística).

Motivações

As motivações foram o estudo aprofundado da energia fotovoltaica, obtida pela conversão direta da luz em eletricidade; a busca de soluções sustentáveis, em que não ocorra agressão ao meio ambiente; o desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias envolvidas, principalmente as nacionais; o bem-estar social, já que a proposta objetiva melhorar a vida das pessoas; a redução da criminalidade, mitigando a violência urbana; e a conscientização do uso racional de energia.

O Projeto foi elaborado num contexto brasileiro de duas décadas de aumento do número de empresas e do poder de compra da população de eletrodomésticos e de equipamentos eletrônicos num país em que 70% da energia vem de fonte hidrelétrica, altamente dependente do clima, e que tem como segunda opção a queima de combustíveis fósseis, que tem custo elevado e provoca altos índices de poluição atmosférica. "Além disso, embora o Brasil tenha 10% do potencial hidrelétrico do mundo, utiliza apenas 30% desse potencial", comenta Thiago.

Energia Fotovoltaica

No Brasil o grande potencial da energia fotovoltaica ainda é quase inexplorado. Entre as dificuldades, estão as altas taxas e impostos sobre produtos da área, a falta de incentivos governamentais, a escassez de empresas fornecedoras (no projeto Ponto Iluminado, por exemplo, os equipamentos vieram do Canadá, dos EUA e da Alemanha); e a burocracia estatal.

Em compensação, há uma perspectiva animadora, pois o investimento em energia fotovoltaica traz lucros a médio prazo, já há um aumento de pesquisas na área e começam a ser firmados acordos de parceria entre empresas e prefeituras para atuar no setor. "O alto preço das contas de energia elétrica é um estímulo para usar a energia fotovoltaica. Outro fato importante é que a perda de energia é quase zero no uso de sistemas solares, enquanto chega a 20% na transmissão de energia elétrica", explica Thiago.

Outras vantagens do uso da energia fotovoltaica são o reduzido custo de manutenção, a ausência de desgaste mecânico e a ausência de emissão de poluentes, de impacto ambiental ou de poluição sonora ou visual. "Trabalhamos ainda com materiais recicláveis e com lâmpadas LED, que permitem maior distinção de cor em relação às de vapor de sódio, o que permite maior visibilidade e segurança aos usuários do ponto de ônibus", acrescenta Thiago.

Parceiros

O Projeto é desenvolvido com o apoio da Proex - Pró-reitoria de Extensão Universitária e tem parcerias com Colégio Albert Einstein, Mestra Educacional, Terwan Engenharia de Eletricidade, Himasa Materiais de Construção, Albany Comunicação Visual e Prefeitura Municipal de Guaratinguetá. Houve ainda o apoio da Assessoria de Relações Externas da Unesp para a viagem para Seattle, EUA.

Esta notícia não é de autoria do Procel Info, sendo assim, os créditos e responsabilidades sobre o seu conteúdo são do veículo original, exceto no caso de notícias que tenham necessidade de transcrição ou tradução, visto que se trata de uma versão resumida pelo Procel Info. Para acessar a notícia em seu veículo original, clique aqui.
  
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