As empresas Eletrobras

Maior companhia do setor de energia elétrica da América Latina, a Eletrobras, na condição de holding, controla grande parte dos sistemas de geração e transmissão de energia elétrica do Brasil. Seis subsidiárias diretas compõem o conjunto empresarial: Chesf, Furnas, Eletrosul, Eletronorte, CGTEE e Eletronuclear. Além de principal acionista dessas empresas, a Eletrobras detém metade do capital da Itaipu Binacional.

Na área de distribuição, a Eletrobras atua por meio de suas subsidiárias, nos estados de Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Piauí e Alagoas. Também fazem parte do conjunto de empresas o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e a Eletrobras Participações S.A. (Eletropar). As distribuidoras da Eletrobras, seu centro de pesquisas e sua empresa de participações não estão contempladas neste relatório.

Ao todo, são 29 hidrelétricas, 15 termelétricas, duas usinas nucleares,
237 subestações e mais de 59,7mil km de linhas de transmissão. Também estão entre as suas propriedades empreendimentos de geração e transmissão constituídos por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPEs) – empresas criadas para realizar um determinado empreendimento ou gerar serviços e atividades, que podem estar ligados à produção de bens.

A principal área de atuação é o mercado brasileiro. Adicionalmente, a empresa iniciou estudos para empreendimentos no exterior. Estima-se que possam ser gerados cerca de 16 mil MW de hidroeletricidade e construídos 10 mil km de linhas de transmissão nesses empreendimentos. Além disso, em 2009, foram abertos escritórios em Lima, no Peru, e em Montevidéu, no Uruguai.

Organograma das empresas eletrobras

Em 31 de dezembro de 2009, a capacidade instalada das empresas Eletrobras era de 39.218 MW, incluídos os 7.000 MW que correspondem à metade da Itaipu Binacional, representando aproximadamente 37% do total do país. A participação em SPEs em operação disponibilizava outros 235 MW para o mercado brasileiro, perfazendo 39.453 MW.

A matriz energética das empresas Eletrobras é predominantemente limpa, sendo 87,1% da capacidade instalada proveniente da hidroeletricidade e 5,09%, de fonte nuclear. Apenas 6,5% provêm de petróleo e 1,24% de carvão. O crescimento projetado para os próximos anos mantém proporção semelhante à atual em termos de distribuição das fontes.

Capacidade instalada por fonte geradora

Capacidade instalada (MW) - 31/12/2009

Projeção da capacidade instalada (MW) em 2014

Carvão

490

840

Petróleo

(1) 2579

(1) 2579

Eólica

173

Nuclear

2.007

2.007

Hidrelétrica

(2) 34.377

(2) 38.037

TOTAL

39.453

43.636

1. Inclui 861 MW de térmicas biocombustível (Óleo Diesel/Gás Natural; UTE Camaçari – 347 MW e 932 MW da UTE Santa Cruz).

2. Inclui metade da Itaipu Binacional – 7.000 MW.

Geração líquida e bruta de energia*

Fonte geradora e combustível

Geração total bruta 2009 (MWh)

Geração total líquida*** 2009 (MWh)

Termelétrica movida a carvão

944.608,69

723.581,61

Termelétrica movida a petróleo

596.292,35

586.477,81

Central nuclear movida a urânio

12.975.088,00

11.876.916,91

Termelétrica movida a gás natural

10.951,00

10.021,00

Hidrelétrica**

176.426.217,56

171.931.486,49

Total

190.953.157,60

185.128.483,82

*Incluída 50% da energia gerada pela Itaipu Binacional.

**Foi considerada a participação de Furnas nas usinas de Serra da Mesa (48,46%), Manso (70%) e Baguari (15%).

***Geração líquida = Geração Bruta – Consumo Próprio – Perdas na Geração

Energia gerada por fonte

90,8% hidrelétrica; 8,3% nuclear; 0,5% carvão; 0,41% petróleo; 0,01% gás natural



Expansão pelas SPEs

Até 2014, está prevista a entrada em operação das 16 unidades da Usina Hidrelétrica de Jirau, com 3.300 MW (dos quais 40% pertence a Eletrobras), e das 33 unidades da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, com 3.150 MW (dos quais 39% pertence a Eletrobras). Além disso, entrarão em operação as usinas hidrelétricas de Dardanelos (261 MW), Mauá (362 MW, sendo 49% da Eletrobras), Retiro Baixo (82 MW, sendo 49% da Eletrobras), Foz do Chapecó (855 MW, sendo 40% da Eletrobras) e Serra do Facão (213 MW, sendo 49,0% da Eletrobras), bem como as duas últimas unidades de Baguari
(140 MW, sendo 15% da Eletrobras).

Linhas que levam desenvolvimento

As empresas Eletrobras são responsáveis por, aproximadamente, 59,7 mil km de linhas de transmissão aéreas, distribuídas conforme as seguintes classes
de tensões:

  • 750 kV: 2,7 mil km;
  • 600 kV: 1,6 mil km de elo de corrente contínua;
  • 500/525 kV: 15,5 mil km e mais 1,5 mil km em parcerias;
  • 345 kV: 6,0 mil km e mais 70 km em parcerias;
  • 230 kV: 25,3 mil km e mais 338 km em parcerias;
  • Menor que 230 kV: 6,7 mil km.



Eficiência da transmissão

Cada empresa Eletrobras calcula os índices de perdas de seus sistemas de transmissão de acordo com metodologias específicas.

Disponibilidade da transmissão

Nos últimos três anos, a disponibilidade média dos sistemas de transmissão das subsidiárias da Eletrobras foi superior a 97%. O ano de melhor desempenho foi 2009, com 99,6%. Na maior parte do tempo, as linhas operaram normalmente, sem interrupções significativas, e as ocorrências por causas atmosféricas, sazonais ou emergências eventuais foram tratadas em tempo hábil, o que permitiu o rápido restabelecimento das linhas.

Disponibilidade das usinas

O fator de disponibilidade das usinas hidrelétricas da Eletrobras esteve entre 80% e 99%. Para as termelétricas movidas a carvão, esse índice foi de 40% a 58%; para as que utilizam gás natural, entre 60% e 99%; e as abastecidas com derivados de petróleo, de 38% a 99%.

OBS: A disponibilidade ponderada global da usina térmica é 86%, enquanto a da usina hidrelétrica é 99%.

Eficiência de termelétricas

As 15 usinas termelétricas se mantiveram dentro dos padrões de desempenho esperados. Em 2009, de acordo com o tipo de combustível empregado, a média ponderada da eficiência de geração foi a seguinte: carvão, 25,6%; gás natural, 30,5%; derivados de petróleo, 31,1%; e nuclear, 35,6%. A eficiência média de todas as termelétricas foi de 34,7%.

Programas de governo

A Eletrobras dá suporte aos programas federais Luz para Todos, Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes (Reluz), Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) e Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). Tais iniciativas são financiadas por verbas setoriais oriundas de contribuições das empresas do setor.



PERFIL

Nome: Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - Eletrobras

Tipo: Sociedade de Economia Mista de Capital Aberto

Produto/serviços: Geração, transmissão e distribuição de energia elétrica

Mercados atendidos: Brasil

Unidades operacionais: 29 hidrelétricas, 15 termelétricas e 2 nucleares

Localização: Sede em Brasília - DF, SCN - Quadra 04 - Bloco B - Sala 203/C - escritório principal geral

Clientes: Vários, dependendo do empreendimento

Empregados: 21.000 *

Faturamento: R$ 29.693.833.000,00

Energia comercializada em 2009: 166.100.259 MWh **

Potência instalada: 39.453 MW

Energia líquida gerada em 2009: 185.128.483.82 MWh

Missão: Atuar nos mercados de energia de forma integrada, rentável e sustentável

Visão: Em 2020, ser o maior sistema empresarial global de energia limpa, com rentabilidade comparável às melhores empresas do setor elétrico

* Contabilizados os empregados das empresas
contempladas neste Relatório de Sustentabilidade.

** Contabilizada 50% da energia líquida produzida pela Itaipu
e comercializada pela Eletrobras.



HISTÓRICO

A história da Centrais Elétricas Brasileiras S.A (Eletrobras) começou em 1954, quando o presidente Getúlio Vargas propôs a criação da empresa.
Em 1961, o presidente Jânio Quadros autorizou a criação da Eletrobras, que foi fundada oficialmente em 1962, pelo presidente João Goulart. Desde então, muitos fatos marcaram a sua atuação. Ao longo deste relatório, será possível conhecer um pouco mais da organização. A história completa e detalhada está no site www.eletrobras.com.

1948 Início das atividades da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).

1954 O presidente Getúlio Vargas propõe a criação da Centrais Elétricas Brasileiras S.A – Eletrobras.

1956 O Plano de Metas – 50 anos em cinco incluía a reorganização do setor elétrico: as empresas federais investiriam na geração, enquanto a distribuição ficaria com o setor privado.

1957 Criação de Furnas Centrais Elétricas.

1960 Juscelino Kubitschek assina a Lei nº 3.782, criando o Ministério das Minas e Energia.

1961 O presidente Jânio Quadros autoriza a constituição da Eletrobras.

1962 A Eletrobras é instalada oficialmente em sessão solene do Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica.

1964 Entra em vigor a lei que transformou o Imposto Único sobre Energia Elétrica em tributo ad valorem e que instituiu o empréstimo compulsório à Eletrobras.

1965 São criadas as funções normativas e fiscalizadoras da Eletrobras.

1967 Com o Decreto 60.824, o presidente Costa e Silva oficializa o Sistema Nacional de Eletrificação, que declara a conveniência de concentrar a ação da Eletrobras e dos governos estaduais no setor, em um número limitado de empresas.

1968 Surge a Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A (Eletrosul), com a incorporação de duas empresas federais do Sul do país: a Termoelétrica de Charqueadas S.A. (Termochar) e a Sociedade Termoelétrica de Capivari (Sotelca), inaugurando a primeira unidade da usina Jorge Lacerda, em Tubarão (SC). 

1971 As concessionárias passam a transferir à Eletrobras 3% de seu investimento remunerável, a chamada Reserva Global de Reversão (RGR).

1973 Nasce a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A (Eletronorte), responsável pela construção da usina Tucuruí, no Rio Tocantins, dando início à geração de eletricidade em grande escala na Amazônia.

1973 O presidente Emílio Garrastazu Médici sanciona a chamada Lei de Itaipu (nº 5.899), que cria a entidade binacional e institui a compra de energia elétrica da futura usina pelas concessionárias das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

1982 É criado o Grupo Coordenador de Planejamento dos Sistemas Elétricos (GCPS), órgão composto pelas principais concessionárias do país e responsável pela elaboração dos planos decenais de expansão do setor de energia elétrica.

1984 As duas maiores usinas do país iniciam suas operações – Tucuruí e Itaipu –, esta última em uma sociedade com o governo paraguaio.

1985 O governo de José Sarney cria o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), que tem o objetivo de promover a conservação e o uso eficiente e racional de energia elétrica.

1985 O governo Sarney aprova o Plano de Recuperação Setorial (PRS), criado com o objetivo de promover o saneamento financeiro das concessionárias mediante o aporte de recursos orçamentários da União e sistemas de recuperação das tarifas. 

1986 O governo passa a exigir um relatório sobre o impacto no meio ambiente das centrais acima de 10 MW de potência.

1988 Um ano após estabelecer seu Departamento de Meio Ambiente, a Eletrobras cria o Comitê Coordenador de Atividades de Meio Ambiente do Setor Elétrico (Comase), reunindo a empresa, o (então) Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (Dnaee) e 25 concessionárias.

1988 A Eletrobras assume a responsabilidade pela conclusão de Angra 2 e Angra 3, em função de alterações na política nuclear.

1989 A Eletrobras inaugura o Centro Nacional de Operação de Sistemas (CNOS), ligado aos núcleos operacionais das empresas do setor.

1990 Reformas institucionais e privatizações provocam mudanças no perfil da Eletrobras.

1990 O II Plano Diretor de Meio Ambiente do Setor Elétrico é criado para estabelecer diretrizes para o tratamento de questões socioambientais.

1992 O governo anuncia a intenção de desencadear o processo de privatização das empresas do setor elétrico através do Programa Nacional de Desestatização (PND).

1993 A Eletrobras conclui a revisão do planejamento do setor, definindo as alternativas de expansão do sistema elétrico brasileiro até 2015.

1996 A Eletrobras contrata um consórcio de consultores internacionais para a realização de estudos sobre reorganização institucional do setor elétrico.

1997 A partir da cisão da área nuclear de Furnas Centrais Elétricas S.A e sua fusão com a Nuclebrás Engenharia S.A. (Nuclen), surge a Eletrobras Termonuclear S.A (Eletronuclear).

1998 União de Furnas e Eletronorte nas obras da chamada interligação Norte-Sul.

2000 A Eletrobras assumiu ativos de geração termelétrica da CEEE, constituindo a CGTEE.

2001 O governo federal implanta o programa de racionamento para evitar um colapso na oferta de energia elétrica em grande parte do território nacional.

2004 Aprovação do novo modelo de regulamentação do setor, que tem o objetivo de garantir o abastecimento de energia no país, com modicidade tarifária.

2004 As empresas Eletrobras são excluídas do Programa Nacional de Desestatização (PND).

2004 A Eletrobras passa a contratar mais de 3.000 MW referentes a projetos de fontes eólicas, pequenas centrais elétricas (PCHs) e biomassa, contemplados no Proinfa, do governo federal.

2007 A Itaipu Binacional coloca em produção as duas últimas unidades geradoras, que elevaram a capacidade da usina brasileiro-paraguaia para 14.000 MW.

2008 As ações da Eletrobras passam ao nível 2 de governança corporativa da Bolsa de Valores de Nova Iorque.



O modelo energético brasileiro

O sistema elétrico brasileiro é formado pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) e por vários sistemas isolados menores, no Norte e Nordeste do país. O SIN é constituído dos subsistemas Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Nordeste, e responde por 97% do mercado de energia elétrica do Brasil. Dos 258 sistemas isolados, 116 são atendidos pelas empresas Eletrobras.

A coordenação e o controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica do SIN são de responsabilidade do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), sob a fiscalização e regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ou seja, é o ONS que determina quais usinas entrarão em operação e o montante de geração a ser despachado.

Compete à União, diretamente ou mediante concessão, autorização ou permissão a terceiros, explorar os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água. Também é de responsabilidade do Estado brasileiro definir critérios de outorga, registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos, além de legislar sobre águas e energia elétrica.

Cabe à Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), elaborar os estudos e pesquisas orientados para o planejamento energético brasileiro, considerando que estes devem ser técnica, econômica e socialmente viáveis e ambientalmente sustentáveis. Esses estudos e pesquisas dão subsídio à elaboração do Programa de Licitações de Usinas e de Linhas de Transmissão.

Novos empreendimentos de geração e transmissão de energia elétrica são viabilizados por meio de leilões de contratação de energia, com posterior outorga de concessão. As empresas interessadas em explorar o empreendimento podem entrar nos leilões isoladamente ou reunidas em consórcios. O papel da Eletrobras, quando vencedora desses leilões, é executar a implantação, operação e manutenção das instalações durante a vigência da concessão.

No Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2008/2017, elaborado pela EPE/MME, a participação nos estudos de viabilidade das empresas Eletrobras é expressiva. No total, elas contribuirão com estes estudos com 35.731 MW em projetos de geração, incluindo aqueles dos quais possuem concessão direta e aqueles em que têm participação societária.

Aproximadamente 74% da totalidade dos projetos indicados para o período de 2014 a 2017 são de responsabilidade das empresas Eletrobras. As companhias participam de estudos de empreendimentos que totalizam 26.508 MW. As empresas Eletrobras atuam como agentes responsáveis pela elaboração dos projetos, sozinhas ou em parceria com outros agentes.


Novos empreendimentos

Aproximadamente 99% da capacidade instalada em novos empreendimentos previstos para a expansão da Eletrobras serão de fonte limpa,
sendo 34.031 MW em fonte hidráulica. A geração nuclear conta com a projeção de 1.350 MW de potência, com a construção de Angra 3.

A Eletrobras tem como objetivo tornar-se, em 2020, a maior empresa de energia limpa do mundo. Entre os projetos hídricos destacam-se o Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte e as usinas hidrelétricas do Rio Madeira – Santo Antônio e Jirau.


Gestão de recursos setoriais

A Eletrobras é responsável pela gestão da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que financia os combustíveis fósseis utilizados nos sistemas isolados, a maioria localizada na região Norte do país. Além disso, gerencia os recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), ressarcindo os custos com aquisição de combustíveis para as usinas movidas a carvão
da região Sul.

Em 2009, as empresas Eletrobras supriram 37% da demanda de eletricidade do Brasil. A maior parte, 93,1%, proveniente de fonte hidráulica renovável.

Multas e sanções

As empresas Eletrobras não sofreram sanções
não monetárias, decorrentes de não conformidade com leis e regulamentos. As multas referentes a tributação, insuficiência de lastro, atraso em obras e problemas técnicos em empreendimentos de geração e linhas de transmissão totalizaram
R$ 73.402.001,49.